Investigadores falam aos parlamentares em reunião secreta. Senador corre o risco de perder o mandato por ligações com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira
A reunião, que teve início às 9h45, ocorre a portas fechadas para preservar a imagem dos delegados e o conteúdo das investigações. "É lamentável, mas é um dever que se impõe a esse conselho de cumprir as normas constitucionais", afirmou o presidente do colegiado, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE).
Até agora, a dupla se limitou a confirmar o que consta dos autos das investigações. Aos parlamentares, eles disseram que há comprovação de que o senador usou o mandato para favorecer os interesses da máfia dos caça-níqueis. Os investigadores também citaram dois diálogos que indicariam o pagamento de propina ao senador: uma conversa mostra integrantes do bando falando em "um milhão do Demóstenes". Outro trecho sugere um pagamento de 20 000 reais. Mas os delegados afirmaram não haver provas materiais de que os pagamentos foram feitos.
Investigação - Raul e Matheus já depuseram na semana passada à CPI do Cachoeira, também em sessões sigilosas. Na ocasião, eles confirmaram o que está nos autos: Demóstenes era o principal responsável pelo braço político da quadrilha e terceirizava o mandato para favorecer o grupo que explorava os caça-níqueis em Goiás.
O depoimento desta terça é o primeiro da fase de coleta de provas. Na semana passada, o Conselho de Ética decidiu, por unanimidade, abrir processo por quebra de decoro contra Demóstenes.
O senador não tem comparecido às reuniões do Conselho de Ética. O advogado dele, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, está presente à reunião desta terça. "Vou acompanhar e perguntar se deixarem", disse ele ao chegar à sala do conselho.
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