Carlinhos Cachoeira, durante depoimento na CPI dos Bingos no Senado Federal em BrasÌlia, DF em 2005 (Ueslei Marcellino/Photo Agência/Futura Press)
Está marcado para esta terça-feira o depoimento mais aguardado da CPI do Cachoeira: o do contraventor que dá nome à Comissão Parlamentar de Inquérito. Carlinhos Cachoeira é aguardado às 14h na sala da CPI, que estará desde cedo sob um esquema rígido de segurança. Só terão acesso ao local, além dos parlamentares, assessores credenciados e um grupo limitado de jornalistas, escolhidos por sorteio.
Tanto esforço pode ser em vão: parlamentares veem como mais provável a hipótese de que Cachoeira se mantenha em silêncio. Não por acaso, ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar adiar o depoimento, sob o argumento de que não teve tempo hábil para consultar a íntegra dos inquéritos. O ministro Celso de Mello negou o pedido da defesa do contraventor. Mas a postura do bicheiro aumenta a chance de que sejam frustradas as expectativas de quem esperava um Cachoeira falante.
Até agora, a CPI ouviu apenas investigadores: dois delegados da Polícia Federal responsáveis pelas operações Vegas e Monte Carlo, que flagraram a atuação do bando de Cachoeira. Nos dois casos, a sessão foi sigilosa. Já o contraventor será ouvido em reunião aberta, transmitida ao vivo pelos canais de comunicação do Congresso. Será uma rara oportunidade de passar a limpo a atuação de um bando cujos braços, além do Governo federal, chegaram a governos estaduais e ao Congresso.
Expectativa - Como a CPI tem em seu poder um grande volume de dados a respeito da quadrilha de Cachoeira, o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), líder tucano na Câmara, torce para que o contraventor vá além do que já foi dito. Caso contrário, afirma ele, o andamento dos trabalhos ficará prejudicado: "Essa CPI começa pelo fim”, diz. “O que nós precisaríamos é grande parte das informações serem confirmadas pelo Cachoeira, que ainda não falou ao país".
O senador Pedro Taques (PDT-MT) usa um argumento semelhante para dizer o contrário: na visão dele, o silêncio de Cachoeira não prejudicaria o andamento da investigação. "Eu entendo que não, porque essa CPI nasceu com um número de documentos impressionante, que podem fundamentar os trabalhos dessa investigação”, acredita. “A fala desse cidadão seria interessante se ele fosse revelar algo novo".
Walter Pinheiro (PT-BA) parece estar preparado para o silêncio do depoente. "Não diria que é um depoimento-chave”, afirma o senador. “A chave está no nascedouro das operações. O silêncio ou adiamento não interromperão a questão dos trabalhos".
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